
Como a nova legislação está protegendo a propriedade intelectual no esporte
Setembro 16, 2024Ao contrário do futebol, onde o jogador possui vínculo empregatício com o clube, o tenista é um profissional autônomo, quase como um empreendedor de si mesmo. Ele precisa gerenciar sua carreira como uma empresa, com responsabilidades contratuais, fiscais, comerciais e até institucionais.
Essa realidade exige estrutura jurídica de alta performance, especialmente conforme o atleta começa a disputar torneios da ATP, WTA ou ITF.
Para facilitar o entendimento, dividimos o assunto em 4 tópicos que julgamos serem os mais presentes na vida do tenista profissional, que são: Contratos de patrocínio e direito de imagem; Regras, doping e Integridade; Acordos com agentes, treinadores e staff; e Planejamento tributário internacional.
1. Contratos de Patrocínio e Exploração de Imagem
No tênis, os contratos com patrocinadores não são apenas um detalhe: são fonte vital de receita. E é aqui que muitos jovens atletas cometem seus primeiros erros.
O que deve ser observado:
- Cláusulas de exclusividade (uso de marcas de roupa, raquetes e acessórios);
- Metas de exposição (quantidade de torneios, visibilidade nas redes, etc.);
- Bonificações por performance (ranking, títulos, participação em Grand Slams);
- Limites no uso da imagem (quem pode usar, por quanto tempo, e de que forma);
- Penalidades e multas contratuais, que muitas vezes passam despercebidas.
Um bom contrato precisa equilibrar liberdade e compromisso. O atleta deve estar protegido juridicamente para não se tornar refém de marcas ou obrigações que travam seu crescimento.
2. Regras, Doping e Integridade
Participar do circuito exige mais do que talento. O atleta deve cumprir integralmente os regulamentos das entidades organizadoras, sob risco de sanções esportivas e financeiras.
Pontos críticos:
- Regulamentos de conduta e uniformização (como, onde e o que vestir);
- Obrigatoriedade de coletivas de imprensa e eventos promocionais;
- Programas antidoping — inclusive com responsabilidade objetiva: não importa se a substância foi ingerida sem intenção, a penalidade pode vir do mesmo jeito;
- Regras de integridade esportiva (prevenção de manipulação de resultados, apostas, etc.).
A presença de uma assessoria jurídica especializada atua aqui na defesa em processos disciplinares, recursos contra sanções indevidas e – principalmente – compliance preventivo, educando o atleta e sua equipe sobre os riscos regulatórios.
3. Acordos com Agentes, Treinadores e Staff
A formação de um tenista campeão passa pela construção de um time sólido. Mas essa estrutura precisa estar contratualmente bem definida:
- Agentes e empresários: Quem cuida da carreira, intermedia contratos e negocia com patrocinadores? O contrato deve delimitar poderes, comissões e deveres.
- Treinadores, preparadores físicos e fisioterapeutas: Acordos que precisam prever remuneração variável, bônus por metas, cláusulas de confidencialidade e duração do vínculo.
Sem orientação jurídica especializada, muitos atletas se veem presos a compromissos desproporcionais ou com dificuldades de rescisão, perdendo tempo e dinheiro em momentos cruciais da carreira.
4. Planejamento Tributário Internacional
Competições em vários países, premiações em moedas estrangeiras e receitas variadas (patrocínios, publicidade, bônus, appearance fees) criam um cenário fiscal complexo.
Aqui, o apoio jurídico especializado se volta para:
- Análise da residência fiscal mais adequada;
- Planejamento tributário internacional — aproveitando convenções contra bitributação;
- Regularização de ativos no exterior e estruturação de empresas para centralizar os recebimentos.
A má gestão fiscal pode levar à autuação de órgãos como Receita Federal, IRS ou autoridades europeias, e até à suspensão de atividades financeiras.
5. Made in Brazil
O Brasil tem talentos no tênis. O que falta, muitas vezes, é estrutura.
Oportunidades perdidas:
- Jovens que assinam contratos abusivos por falta de assessoria;
- Carreiras promissoras encerradas por desinformação sobre regras antidoping (como quase ocorreu com Bia Haddad Maia);
- Conflitos com patrocinadores e treinadores mal resolvidos juridicamente;
- Atletas que perdem receitas ou enfrentam problemas fiscais por não declararem corretamente seus ganhos no exterior.
Exemplos de sucesso com boa estrutura:
- Guga Kuerten teve uma carreira planejada, com gestão de imagem exemplar e contratos sólidos;
- Bia Haddad, mesmo após enfrentar punição, retornou ao circuito com uma equipe jurídica eficiente;
- Thiago Wild, promessa nacional, vem estruturando melhor sua equipe após polêmicas extraquadra, incluindo assessoria jurídica de reputação e mediação de conflitos.
O Tênis Profissional Exige Gestão Profissional
No tênis, talento não basta. O que sustenta uma carreira de alto nível é uma base jurídica bem construída, que permite ao atleta competir com liberdade, segurança e longevidade.
Nosso escritório, com mais de 25 anos de experiência, trabalha para que o tenista — seja júnior, profissional ou já consolidado no circuito — esteja protegido em cada etapa da sua jornada: desde os primeiros contratos de patrocínio até a aposentadoria e transição de carreira.
Queremos que o atleta jogue tênis. O resto, a gente resolve!
Se você é atleta, gestor, treinador ou pai/mãe de um jovem talento, entre em contato conosco. Podemos avaliar contratos, revisar estratégias e construir uma estrutura jurídica sob medida para a sua realidade.